|
Já na lua de
mel, achei que tinha me casado com o homem errado
"Já na lua de
mel, achei que tinha me casado com o homem errado". Com essa
frase, Luciana, de 23 anos, resumia seu relacionamento com o marido
Marcos, de 25, quatro meses após o casamento. A cerimônia fora
linda, a recepção luxuosa. Mas os sorrisos nos lábios duraram não
mais que três dias. Ela correu para a casa dos pais.
Assim como eles,
muitos casais - cristãos ou não - enfrentam sérias dificuldades
no início do casamento. As estatísticas mostram que a maioria dos
divórcios ocorre antes dos 4 anos de vida a dois. "É um período
de adaptação e muitos não conseguem sair dele ilesos",
explica a psicóloga Maria Lúcia Azevedo. É aí que entra a
"famosa" frase: "No namoro, tudo ia bem; foi só
assinar o papel e nosso mundo desabou".
Mesmo não chegando
ao extremo da separação, esse período tribulações é comum -
bem mais do que se imagina. "Eu chorava todos os dias. Não
estava arrependida, mas insegura, querendo minha família",
revela Cláudia, casada há 4 anos com Eduardo. "Na época, eu
só pensava em engravidar logo, acho que, inconscientemente, queria
suprir algo que estava me faltando". E é assim mesmo.
Ansiedade, insatisfação, desavenças... "A mulher está
infeliz e para suprir suas necessidades passa a descontar, por
exemplo, na casa: quer mudar a cor da parede, pede um sofá novo,
reclama das panelas. Parece que nunca está satisfeita com
nada", diz Maria Lúcia.
O porquê de tudo
isso é facilmente explicado. Falta de amor? Quase sempre, não. Por
mais estranho que possa soar, o amor não é suficiente para manter
uma relação à dois. É fundamental, obviamente. Mas não o único
ponto importante. Nestes casos, principalmente, é preciso compreensão
e paciência - frutos da prática desse amor.
Para a mulher, esse
começo parece ser ainda mais difícil. Pela sua própria natureza
é mais sensível e por isso acaba exigindo mais do marido, do
casamento e até dela mesma. Quando não trabalha ou não tem uma
profissão, a situação pode ficar ainda pior: muitas sentem-se
solitárias, abandonadas pelas amigas e passam o dia fantasiando. O
homem não constrói castelos, a mulher sim. E muitas vezes, ele
desmorona.
No banheiro ou
na cama
Não é de hoje que
ouvimos sobre "discussões" de recém-casados. Algumas bem
tolas, mas que se tornam uma pedra no caminho. Dá até para rir,
mas estes são alguns dos motivos comuns - e as frases são reais:
- Pasta de dente- "Eu
apertava sempre de baixo para cima e ele apertava em qualquer
lugar, quase sempre no meio. Eu detestava aquilo e um dia não
aguentei. Brigamos!";
- Família- "Depois que nos
casamos, ele ficou egoísta. Parece que tinha ciúmes até da
minha mãe";
- Lazer- "Vídeo-game depois
de casado? Prá mim, homem que casa deve amadurecer";
- Exigências- "Ela me
perguntava se eu tinha escovado os dentes para dormir. Me
lembrava minha mãe";
- Rotina- "Ele disse que não
mudaria, mas alguns meses depois de nos casarmos, passou a ser
preguiçoso e o que nunca foi: caseiro";
- Sexo- "Nossos ritmos eram
bem diferentes. Não podíamos suprir um ao outro".
Por mais que pareça
absurdo, muitas brigas são fundamentadas neste tipo de argumento.
Mas na verdade, a raiz é bem mais profunda e alimenta-se na falta
de informação e renúncia - de ambas as partes. Casamento não é
apenas um contrato, mas uma aliança.
Biblicamente, aliança
é uma promessa, um compromisso onde as duas partes estão dispostas
a fazer pela outra tudo aquilo que querem que seja feito por elas
mesmas. Deus pediu a Abraão o sacrifício de seu único filho,
Isaque. Nesta aliança, estaria disposto a fazer o mesmo e o fez
(ainda que tenha livrado Isaque da morte): enviou seu filho unigênito,
Jesus Cristo, para sacrificar-se em favor da humanidade.
Não é fácil
renunciar e abrir mão de suas vontades em favor do cônjuge. Mas é
preciso. Num casamento não deve haver a anulação de sua
personalidade ou caráter, mas é fundamental que exista disposição
para tratá-los afim de que os dois tornem-se um, deixando de lado
uma de suas partes para suprir o espaço vazio com a do outro.
Quando se aprende a praticar isso, o relacionamento não fica só
mais fácil, mas principalmente, bem mais prazeroso.
Tempo de construção
"Se um homem
tiver se casado recentemente, não será enviado à guerra, nem
assumirá nenhum compromisso público. Durante um ano estará livre
para ficar em casa e fazer feliz a mulher com quem se casou."
(Deuteronômio 24:5- NVI). Se fosse possível, com certeza,
esta seria a solução para os impasses pós-nupciais: um ano
inteiro à sós, apenas para regozijo e adaptação do casal. Mas
isso não existe mais, infelizmente, só ocorria nos tempos do
Antigo Testamento. Então, o que fazer?
Em primeiro lugar,
ao novo casal cabe a conscientização de que a vida a dois não é
fácil. Pode ser maravilhosa, mas é como um edifício em construção:
até estar pronto e belo, levará algum tempo em obras. Do alicerce
ao acabamento final!
Não existe fórmula
para se chegar ao ápice da relação - é preciso que marido e
esposa busquem em Deus e descubram sozinhos aquilo de bom que Ele
lhes preparou. Mas algumas orientações podem ser-lhes úteis:
- Se surgirem discussões, não
pense que isso só acontece com vocês. É preciso tentar
evitar, mas elas surgirão;
- Renuncie, ainda que essa palavra
soe como uma "facada" em seu coração. Deixe de fazer
algumas coisas pelo outro. Faça outras em favor dele(a);
- Não aponte os erros de seu cônjuge
para exigir mudanças. Olhe primeiro para você e transforme-se
a si mesmo;
- Não discutam e não corrijam um
ao outro na frente de outras pessoas;
- Não comente com os amigos ou
sua família sobre suas discussões ou aquilo que considera
"erro" em seu cônjuge. Expor os problemas de convivência
diária para outras pessoas que não sejam vocês mesmos pode
ser muito desagradável (e inútil);
- Se quer algo que ele(a) não
faz, faça você por ele(a);
- Não abandone os amigos mas
separe a maior parte do tempo livre para estarem à sós.
Lembre-se que o primeiro ano do casamento deve ser de
conhecimento mútuo - e isso deve ser buscado só entre vocês
dois;
- Procure compreender as
necessidades do outro;
- Seja paciente. Nenhuma adaptação
é fácil;
- Faça uma auto-avaliação diária
de seu comportamento e procure extinguir aquilo que considerou
negativo ou que trouxe desavenças;
- Se está ocupando sua mente com
dúvidas e insegurança, mude isso. Ocupe-a com o que é bom.
Ore, leia a Bíblia e sinta-se tranqüilo(a) com as promessas de
Deus para sua vida,
- Alegre-se na esperança de que
essa fase irá passar e em breve, o edifício estará pronto - e
habitável!
Quanto à Luciana e
Marcos (aqueles, que voltaram da lua-de-mel frustrados), seu
casamento é hoje "uma benção", conforme ela mesmo
classifica. O segredo? Esperar (mas não sentado!) o primeiro ano
passar.
Rosana Salviano
Fonte: eucreio.com
|