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Creio
que outros vão escrever mais diretamente sobre o
“namoro cristão”; quero fazer uma rápida abordagem
do tema no plano humano, decorrente de uma visão positiva
da filosofia cristã, cujo centro da atenção é a pessoa
humana e seu caminho para a felicidade.
Faz parte da lógica consumista do capitalismo moderno
apresentar a vitrine fetichista do comércio formal e
informal, de maneira mais ousada nos shopping’s centers,
como espaço do descartável. Os produtos, embora bonitos
e requintados, em grande parte são descartáveis.
Fabricados para serem consumidos rapidamente, devem ser
substituídos por novos exemplares que a cada momento são
inseridos nas prateleiras reais e virtuais do mercado,
obedecendo à lógica do muito consumir. A cada ano surge
uma infinidade de modelos novos de celulares e outros bens
na área da eletrônica que povoam o imaginário dos
humanos consumistas.
Essa perversidade que engalfinha milhões de dólares a
cada dia está impregnando cada vez mais o inconsciente
coletivo da humanidade, sobretudo no Ocidente: berço
esplendido do consumismo. Trata-se da lógica do descartável:
usa-se enquanto lhe agrada e faz bem, depois joga-se fora
e busca-se outra opção que lhe satisfaça melhor aos
instintos.
Tal realidade se materializa em mentalidade, em
pensamento. Isso passa a reger o mundo humano e interfere
drástica e profundamente na concepção de pessoa, de
Deus, da natureza e da sociedade. Lamentavelmente a pessoa
humana também está sendo colocada na vitrine, como
objeto de consumo.
A mentalidade de prevalência do prático, acredito, tem
favorecido uma mentalidade utilitarista e hedonista das
coisas e passado dessas para as pessoas. Estamos vendo
saltar aos nossos olhos as conseqüências desta
mentalidade. Da mesma maneira que as pessoas trocam de
aparelho celular a cada modelo novo que chega às lojas,
muitos(as) estão trocando de relacionamentos afetivos a
cada impulso dos sentidos em direção às possibilidades
de novas aventuras e novas expectativas de prazer.
Tanto no namoro quanto no casamento percebe-se tal
desastre humano. A raiz do problema não está basicamente
na perda dos valores morais. É mais profundo. É uma
questão de mentalidade. A concepção de pessoa humana
está se nivelando com a concepção que temos das coisas
e do seu conseqüente uso.
O namoro que brota entre dois jovens de sexos opostos é
sempre acompanhado da mentalidade que ambos trazem
consigo. Quando estes possuem uma concepção humana frágil,
inegavelmente o relacionamento será igualmente frágil e
possibilitará o aprofundamento das negatividades de
alguns aspectos já decadentes.
A fase do namoro, ideal e moralmente objetivo, é um período
excepcional para o conhecimento de duas pessoas,
geralmente jovens, de sexo oposto. O namoro é um período
na vida dos namorados que lhes permite se conhecerem
melhor. Isso é fundamental para o alicerce de uma nova
família que se quer sólida.
A prática do namoro evoluiu muito nas últimas quatro décadas.
Não foi uma evolução ruim. Afinal, não dá para pensar
o namoro nos moldes das primeiras décadas do século
passado. Com a abertura dos últimos tempos e a igualdade
de direitos estabelecida entre o homem e a mulher, bem
como a quebra do tabu que circundava a questão sexual,
abriu-se as portas para uma nova prática do romance
amoroso entre os namorados. O erro não está na abertura,
mas no mau uso da liberdade, face à mentalidade do
descartável que está tomando conta da sociedade.
O estilo do namoro antigo tem muito em comum com o namoro
dos nossos tempos: a falta de conhecimento um do outro. O
namoro antigo não permitia nenhuma espécie de contato físico;
a conversa entre os dois não existia, o estar só era
impossível, etc – não se conheciam. O namoro moderno e
avançado permite tudo: o sexo livre, o aborto, a depravação,
etc – também não se conhecem como pessoas.
O final do filme todos nós conhecemos: corações
machucados, magoados e infernizados com a síndrome da
dependência sexual e outros males. A sociedade ainda é
machista; por isso o Pe. Zezinho tem razão quando compôs
a música “Laranja Lima” e nos diz que no namoro
errado é a mulher quem sofre mais. Deve ser muito triste
a ressaca do pós-namoro pagão, quando a consciência
advertir que a jovem foi usada ou que usou o outro
simplesmente por prazer, tendo se acobertado, para tanto,
na falsidade e na mentira.
Estamos vivendo um mundo carente de valores. Além da
mentalidade do descartável que favorece o hedonismo
utilitarista no namoro (para muitos o trivial
“ficar”), temos a elaboração de um ambiente cultural
de morte que se expressa na música mundana, no teatro e
no cinema também mundanos que apregoam os contravalores
como sendo determinantes para a felicidade. Aí está o
engano, pois se trata de uma mentalidade distorcida da
pessoa humana. É a crise antropológica (a pessoa humana
não se interroga sobre o seu fim). É a evidente falta de
consciência do que é a realidade da pessoa humana e o
que é realmente a felicidade para a qual a pessoa humana
foi criada.
O que fazer para viver o namoro coerente e de maneira
cristã? Olhar para Jesus Cristo, o modelo antropológico
perfeito. Olhar para o testemunho de tantos casais que
vivem o namoro correto e santamente. Não tenho dúvidas,
os casais de namorados que viveram santamente o seu namoro
viverão santamente o seu casamento. Afinal, a conquista
da felicidade não se dá sem sacrifício, renúncia e
entrega consciente. Onde há o amor não há a dor.
“Felizes os puros de coração porque verão a Deus”
(Mt. 5, 8).
Prezados jovens cristãos, sejam vocês o alicerce da
construção da “civilização do amor” (Paulo VI) e
da concretização de uma vida feliz a partir da santidade
e do respeito à pessoa do outro. Deus os abençoe.
Pe. Adair
José Guimarães
Mara Rosa - Goiás
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