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Vivemos em
uma sociedade marcada pela modernidade. As inovações
tecnológicas, os avanços da ciência, cada vez mais, em
menos tempo, se superam, se renovam. O homem, ao mesmo
tempo que, com sua inteligência e suas mãos, submete a
si toda criação, cumprindo o desígnio de Deus, tem
perdido o domínio sobre si mesmo, já não consegue mais
controlar o seu universo interior” (cf. Felipe Aquino -
Entrai pela porta estreita).
O mundo moderno tem, constantemente, instigado o homem na
busca do prazer, do poder e do ter. Este, por sua vez, tem
cedido a esse apelo do mundo numa busca na qual ele perde
a si mesmo. E se perde porque, nesta busca, não existe ética,
não existe moral, não existe Deus... e sem Deus não
existe homem verdadeiramente humano.
“O homem moderno ignora Deus e construiu um mundo onde não
há mais lugar para Ele" (idem). Frente á
modernidade do mundo, considera o que é de Deus como
ultrapassado, gerando uma grande desordem. Os frutos dessa
desordem são muitos e se revelam diante dos nossos olhos:
crimes, roubos, assassinatos, corrupção, estupros,
drogas, delinqüência juvenil e infantil e, entre tantas
outras coisas, uma permissividade moral avassaladora.
Permissividade esta que podemos ver através dos espetáculos
dos motéis, das novelas sensuais, das mensagens eróticas
por telefone, dos filmes pornôs, da liberdade sexual, dos
abortos, da AIDS, dos adultérios, dos divórcios, da
homossexualidade, da moda excitante, da promiscuidade, da
prostituição, das revistas eróticas, etc. Tudo isso
atesta a decadência de uma civilização que se esqueceu
da Lei sagrada de Deus. A moral cristã que nos é
apresentada pela Igreja, baseada no Evangelho e na sua
experiência e profundo conhecimento do homem - afinal são
dois mil anos de convivência com o homem - está sendo
terrivelmente desprezada pela mentalidade “moderna”.
Assim "o homem é encorajado a esclarecer e decidir
sobre as questões morais com máxima autonomia, ignorando
porem, em geral, a realidade objetiva da lei moral e
negligenciando a formação das consciências sobre os
específicos preceitos morais cristãos, afirmados pelo
Magistério da Igreja. ... Dá-se a idéia de que um códice
moral é qualquer coisa criada por nós mesmos, como se o
ser humano fosse fonte e norma da moral.” (Conselho
Pontifício para a Família - sexualidade Humana, Verdade
e Significado n. 140).
Nesta desordem moral observa-se uma grande pressão em
direção á banalização do sexo, A cultura do “sexo
livre” tem se impregnado a juventude atingindo
adolescentes em idade cada vez menor, Essa cultura seduz
os jovens de várias maneiras, entre elas, através de músicas
e danças sensuais, dos programas e ídolos da TV, das
roupas excitantes, etc. Essas coisas estimulam,
precocemente, a sexualidade de meninos e meninas de
maneira desordenada e, associada á instabilidade da
adolescência, desemboca numa ânsia pela satisfação
destes estímulos. Com freqüência, vemos meninos e
meninas cada vez mais novos (11-12 anos) que já aderiram
ao famoso “ficar”, prática comum no meio da
juventude. No início, esse “ficar” pode se limitar a
beijos e abraços, mas funcionam como um impulso,
estimulando ainda mais a sexualidade, para que iniciem uma
vida sexual precoce. São adolescentes que ainda estão
descobrindo o seu corpo, sua personalidade e identidade,
os impulsos sexuais são para eles novidade e ainda
precisam aprender a distingui-los e dominá-los mas são
levados a usá-los desordenadamente, comprometendo o seu
amadurecimento. Num mundo tão erotizado, eles são
praticamente sugados por essa cultura destruidora.
“O fogo tão suave para aquecer pode indo devastar.
(...) A energia sexual descontrolada pode levar á morte,
tudo o que é bom, desviado de sua finalidade, volta-se
contra o homem. “ (Daniel-Ange - Teu corpo feito para o
amor). As conseqüências do sexo vivido fora do casamento
são terríveis: mães e pais solteiros, filhos
abandonados, ou criados por avós, ou em orfanatos ...
Muitos destes se perdem e vão buscar nas drogas e no
crime a compensação para suas dores. Quantos abortos são
cometidos porque se busca apenas egoisticamente o prazer
do sexo e depois elimina-se o fruto, a criança! Só no
Brasil, são 4 milhões por ano. Quantas adolescentes de
13-14 anos grávidas sem o mínimo preparo e maturidade
para serem mães! Quantos lares desfeitos! Quanta decepção
e sofrimento!
“A virulência da AIDS, conseqüência de uma
sexualidade desenfreada, pôs as claras a miséria moral
da nossa civilização. As campanhas de controle tentam
conter o contágio sem controlar o comportamento que leva
a ele. A campanha da camisinha, tão divulgada no
carnaval, oferece aos jovens um “instrumento” que lhes
permite ter uma vida sexual “livre e segura”,
incentivando a vivência sexual sem responsabilidade e
compromisso, sem amor, sem fidelidade, totalmente fora dos
planos de Deus. Além disso, pesquisas revelam que a
camisinha apenas diminui (retarda) mas não elimina
(evita) o contágio. A segurança desses preservativos é
de 87% para prevenção de gravidez, enquanto que, para a
transmissão do HIV, é de apenas 69%. Vemos, portanto,
quanto é irresponsável dizer que a camisinha garante
sexo seguro”. (cf. Felipe Aquino - Entrai pela porta
estreita).
Entretanto, em meio a esses bombardeios que causam tanta
dor e sofrimento, surgenos uma luz, “um brilho da
virtude” (cf idem): a Castidade. Mais do que nunca,
precisamos ter coragem, talvez heróica, de assumir em
nossas vidas e também propagar aos jovens a Castidade,
algo profundamente saudável e necessário. Pois “ou o
homem domina as suas paixões e encontra paz, ou se deixa
dominar por elas e se torna infeliz.” (CIC- Catecismo da
Igreja Católica - n.2339).
“A castidade é a energia espiritual que liberta o amor
do egoísmo” (Conselho Pontifício para a Família -
Sexualidade Humana, Verdade e Significado n.16). Segundo o
Catecismo da Igreja, a castidade é a integração correta
da sexualidade na pessoa e com isso a unidade interior do
homem no seu ser corporal e espiritual (n. 2337). É através
da castidade que seremos formados como homens e mulheres
verdadeiros, de acordo com o plano de Deus. Diferente do
pensamento de muitos, a virtude da castidade, que está
inserida na temperança (virtude cardeal recebida no
batismo), não é em nada repressiva, mas, ao contrário,
é libertadora, pois guarda e protege o dom mais precioso
e rico, o amor, em vista do “dom de si” que se realiza
na vocação específica de cada um (cf idem n.4).
Buscar viver a castidade é se conformar à lei de Deus,
que em seu sexto mandamento nos diz: “Não pecar contra
a castidade”. Talvez esse seja o mandamento mais
desrespeitado no nosso tempo, mas “todo batizado é
chamado a viver a castidade, ..., no momento do Batismo, o
cristão se compromete a vive r a sua afetividade na
castidade” (CIC - n.2348).
Para ser casto, é preciso integrar corretamente a nossa
sexualidade, o que significa reconduzir todo nosso ser
feminino ou masculino (forma de se expressar, de sentir,
de se relacionar com os outros, personalidade,
comportamentos) para o amor, não o amor egoísta que visa
o seu próprio prazer, mas o amor que é verdadeira
expressão do “dom de si”, o amor como doação
e acolhida: amor que se preocupa com o outro e busca a
felicidade dele. Por isso, precisamos mergulhar no
Evangelho, na Palavra de Deus e reconstruir os nossos
valores, pensamentos, ideais e comportamento segundo eles.
“Não sabeis que vós sois templo de Deus, e que o Espírito
de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de
Deus, Deus o destruirá. Porque o templo de Deus, que sois
vós é sagrado.” (1 Cor 3, 16-17) “Não sabeis que
vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei os membros
de Cristo e os farei membros de uma prostituta?” (1 Cor
6, 15). Como templos do Espírito e membros de Cristo,
devemos zelar pelo nosso corpo e entender que o corpo do
outro também é precioso e precisa ser preservado, isto
é castidade. Zelar pelo corpo é ter pudor, é preservar
a sua intimidade: não fazer do corpo objeto de conquista;
não se prostituir pelo sexo livre, pela onda do ficar; não
usar roupas excitantes que o façam parecer mercadoria
(roupas curtas, justas, decotadas, sensuais); amá-lo é
reconhecê-lo como dom precioso de Deus, Do mesmo modo,
devemos preservar o corpo do outro - do(a) amigo(a), do(a)
namorado(a), do(a) esposo(a), do(a) desconhecido(a) - pois
quem ama visa o bem do amado, e isso se faz reconhecendo e
respeitando a sua dignidade, não o usando como objeto
para satisfação pessoal, não provocando situações que
o leve a pecar, colaborando para que se mantenha casto.
Precisamos estar cientes de que, quando nos sujamos,
sujamos o Corpo de Cristo; e, se estamos sendo motivo do
outro se sujar, o motivamos a sujar o Corpo de Cristo.
“Não cometerás adultério.” (Dt 5, 18). “Eu, porém,
vos digo, aquele que olhar uma mulher com desejo
libidinoso já cometeu adultério com ela em seu coração”
(Mt 5, 28). A castidade não se restringe aos atos, mas se
refere às intenções e pensamentos. A melhor maneira de
ter atitudes castas é cultivar a pureza dos pensamentos,
palavras e desejos, dominando a imaginação, preservando
os olhos de situações que estimulem o pecado, desviando
de toda conversa e palavras maliciosas.
“A mulher não pode dispor do seu corpo: ele pertence ao
seu marido. E também o homem não pode dispor do seu
corpo: ele pertence à sua esposa” (I Cor 7,4). “ Aqui
S. Paulo fala claramente que a união sexual só tem
sentido no casamento, por que só aí existe um
comprometimento de vida e o compromisso de fidelidade.
Cada um é responsável pelo outro até a morte, em todas
as circunstâncias fáceis e difíceis da vida” (cf
Felipe Aquino - Entrai pela porta estreita). Aqueles que não
receberam o sacramento do matrimônio não estão
preparados para o amor conjugal, portanto, não estão
preparados para a união sexual que é a expressão máxima
deste amor. “No amor conjugal o sexo é dar, fora dele
é tomar.” (Daniel-Ange - Teu corpo feito para o amor).
“A união carnal fora do casamento entre um homem e uma
mulher livres é chamada de fornicação, e e´ gravemente
contrária à dignidade da pessoa e da sexualidade
humana” (cf. CIC - n.2353). “Muitos jovens se separam
com poucos anos de casamento porque não exercitaram sua
vontade na luta árdua da vivência da castidade” (cf.
Felipe Aquino).
Com referência a práticas como a masturbação e ao uso
genital contra a natureza, a Igreja diz: “Tanto o magistério
da Igreja como o senso moral dos fiéis afirmam sem hesitação
que a masturbação é um ato intrínseco e gravemente
desordenado. Qualquer que seja o motivo, o uso da
faculdade sexual fora das relações conjugais normais
contradiz sua finalidade” (CIC - n.2352). Entende-se por
masturbação a excitação voluntária dos órgãos
genitais a fim de obter um prazer venéreo.
A Bíblia e a Igreja também se manifestam claramente a
respeito do homossexualismo: “Não te deitarás com um
homem como se fosse uma mulher: isto é uma abominação.”
(Lev 18. 22). “A tradição sempre declarou que os atos
de homossexualidade são intrinsecamente desordenados. São
contrários à lei natural” (CIC -2357). Embora Deus
abomine o pecado, ama o pecador e o trata com misericórdia,
assim, aos homossexuais, a Igreja diz: “As pessoas
homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes de
autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes
pelo apoio de utna amizade desinteressada, pela oração e
pela graça sacramental, podem e devem se aproximar,
gradual e resolutamente, da perfeição cristã.” (CIC -
n.23 59).
“A castidade como virtude não pode existir sem a
capacidade da renúncia, sacrifício e espera. Somente com
o auxílio e a graça de Deus é que podemos vencer as misérias
da nossa carne. Daí a importância de uma vigilância
sobre nós mesmos, ao mesmo tempo que vivemos uma profunda
e perseverante vida de oração e participação nos
Sacramentos da Reconciliação e Eucaristia” (cf. Felipe
Aquino). Não podemos deixar de recorrer a Maria, nossa mãe,
Rainha da pureza que está sempre pronta a nos ajudar
nesta luta árdua, nos colocando sob a sua proteção.
Redescobrir a castidade hoje é uma necessidade. Por ela,
percebemos que “o homem não é apenas um corpo, mas tem
uma alma imortal criada para viver a glória de Deus. Não
fomos criados para nos contentar apenas com o prazer
sexual passageiro. Fomos feitos para o infinito e só em
Deus satisfaremos plenamente as nossas tendências
naturais. “ (Felipe Aquino - Entrai pela porta
estreita).
É preciso corajosamente incentivar o jovem a viver a
castidade. A juventude é tempo de experiências fortes,
é exaltante fazer a experiência do controle de si mesmo,
da pureza. Num mundo hipererotizado, é quase um heroísmo
aderir à castidade. Representa uma grande liberdade
interior e uma extraordinária coragem para escolher pelo
caminho de Deus dizer não à promiscuidade, à prostituição,
ao erotismo, à pornografia, à moda excitante.
“A aparente severidade da Igreja é o reverso de sua
ternura. Ela enxerga melhor do que você e quer protegê-lo
a qualquer preço, está disposta a protegê-lo contra você
mesmo. As exigências da Igreja são exigências do seu
coração. Ela ousa pedir muito, por que sabe que você é
grande o suficiente para responder. E isso corresponde ao
que você tem de melhor.” (Daniel-Ange - Teu como feito
para o amor).
A Igreja oferece a Verdade por que sabe que todo aquele
que é da verdade (Jo I8, 37) escuta a Palavra daquele que
é a própria Verdade em pessoa (Jo 14, 6). (Conselho
Pontifício Para Família).
Luciane
Cristina Mendes Bidóia
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